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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Vale a pena ver de novo




Tinha subido esse video muuuito tempo atrás (aqui) por causa da fofura das crianças cantando, no melhor português-embromação possível, essa musiquinha dos Tribalistas, que afinal de contas tem tudo a ver com o Natal. Quem sabe a meiguice dos curumins ajuda a passar o mau humor que peguei na rua. Claro que a neve e o frio não são problemas. Em princípio. O problema é você morar na cidade que é a sede do governo e ter a impressão de estar em Nossa Senhora das Farinhas: não passou nem um caminhão para tirar neve, ou colocar sal e areia, nem nas ruas nem nas ciclovias. Da minha casa ao mercado são 10 minutos mas hoje levei uns 40. Com minha bota anti-derrapante-até-prova-em-contrário, andando como se tivesse 150 anos, para não escorregar. Verdade que cruzei com pessoas que andavam como se tivessem 230 anos e umas bem poucas com menos de 50. Sério. Um pouquinho de neve caotizou (existe esse verbo?) o trânsito, de pessoas, bicicletas, carros, trens, bondes e aviões. Será que eles estavam tão confiantes assim no tal aquecimento global? A neve chegou de surpresa no inverno? Podem rir, mas chega no outono aqui e um fenômeno sempre surpreendente para eles acontece: as árvores perdem as folhas! Quem diria, né? Aí os trens atrasam etc etc. E nem adianta dizer que nevou muito dessa vez. O caos aqui já começou no dia que nevaram só 2 centímetros. E depois só piorou. As páginas dos transportes públicos foram tiradas do ar e ficaram só com o seguinte aviso:


The website is temporarily offline, please try again later.
De website is tijdelijk niet bereikbaar, probeer het later nog een keer.
For additional information, please call 070 - 3848666
Voor meer informatie kunt u bellen met 070 - 3848666
E advinhem se alguém atendia o cazzo do número !!! Pelo menos fiz minhas compras, vou ficar em casa quietinha vendo uns filmes, colocando leituras em dia, fazendo tricô, dormindo. Para quem for comemorar, ou não, desejo dias de descanso e recarregamento de energias do bem.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

"O Sol há de brilhar mais uma vez..."

Segunda-feira de muito frio, parece de propósito para desmentir as teses do aquecimento global, mas dia do Solstício, ou seja, o auge do inverno no hesmisfério norte e do verão abaixo do Equador. Por aqui, o momento que o sol estará mais distante será às 18:47 e, segundo as tradições pagãs, hora das cerimônias para pedir ao sol que não se vá embora de vez, que nos perdoe tudo e volte, vem viver outra vez ao meu lado, não consigo viver sem teu braço etc e tal. Aí, lentamente, as noites vão ficando menores, a luz vai reaparecendo e no Equinócio as noites e dias têm a mesma duração. Podem ter certeza que hoje vou fazer uma reza forte para nossa estrela não resolver ir passear por outras galáxias, desgostosa do que anda vendo por aqui. Se tudo der certo, segundo as lendas, a energia que o núcleo da Terra recebe no momento do solstício lá permanece por 3 dias, símbolo da fecundação cósmica. No quarto dia, nasce o filho do Sol e um novo ciclo começa. Não por acaso os cristãos sincretizaram o nascimento de Jesus com esse antiquíssimo ritual humano. Desejo muita luz para todos nós. O título do post foi tirado de uma música do Nelson Cavaquinho e Elcio Soares:
O sol há de brilhar mais uma vez
a luz há de chegar aos corações


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Beauty is in the eye of the beholder / A beleza está nos olhos de quem vê

Hoje a BlogaFora completa 3 aninhos. Acho incrível considerando que a idéia inicial era mostrar para uma pessoa conhecida que fazer um blog é muito mais simples que fazer um site. Montei a Bloga como blog privado para experimentar, mas exatamente no dia que mandei convites para as pessoas próximas darem uma olhada, teve uma sipituca qualquer no Blogger e ninguém conseguia abrir a bodega. Tornei a Bloga pública, a pessoa nunca montou nem site nem blog, e o resto, não é História, claro, são histórias. E muitas emoções. Obrigada a vocês que me acompanham, com mais ou menos assiduidade, de forma mais ou menos anônima, longe dos olhos e perto do coração. O video escolhido para marcar a data, é sobre, bem, vocês vão ver, amor e uma indicação forte que preconceito é uma construção social, caso haja dúvidas. E o menino no spot, porque trata-se de uma peça publicitária, é um mega fofo.

It was 3 years ago today that BlogaFora was first launched. She (yes, BlogaFora is a girl) was meant to be only a test blog to show someone that it is much easier to make a blog than to build an internet site. I made BlogaFora private but exactly on the day I sent invitations to close friends and acquaintances there was a problem with Blogger which prevented people from opening the blog. BlogaFora became then public, the person in question never made a blog or site and the rest is what you can see and hear here. Thanks for the company, all of you readers, who come here more or less frequently from all parts of the world, who leave comments more or less anonymously. The video I uploaded to mark the, humm, occasion is an advertisement showing that prejudice is a social construct. Our hero is cute as it can get when he talks about his feelings.





PS: from comments I saw on YouTube it is not clear to certain people why this piece is against discrimination (which only stress the point). The fact is the boy is Chinese and the girl Malaysian.
Pelos comentários que vi no YouTube tem gente que não entende porquê o anúncio é contra o preconceito. O lance é que o garoto é chinês e a menina malaia.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

"Sei chorar, eu também já sei sentir a dor..."

Uma amiga acaba de me ligar (obrigada, Josie) para dizer que hoje é o aniversário de morte da grande Dinah Washington (14 de dezembro de 1963, R.I.P.). O Stormy Monday de hoje só pode ser com ela. Como ela já cantou Stormy Weather aqui na Bloga antes, achei que o Cry Me a River no vozeirão dela é capaz de causar tempestades em qualquer coração. Ladies and getlemen, apertem os cintos:



Obs: o título do post vem de uma música do Cartola Sei Chorar "Sei chorar, eu também já sei sentir a dor, estou cansado de ouvir dizer que aprende-se a sofrer no amor..."

sábado, 12 de dezembro de 2009

Dos poetas (in) felizes

Se você quiser passar 15 minutinhos vendo uma animação bacanuda, clique aí embaixo. É um filme de (do? da?) Torill Kove, narrado pela Liv Ullmann (sim, ela mesma).



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

And the winner is

A Bloga andou meio parada, mas nada a ver com tendências suicidas por causa da falta de luz nessa época do ano. (Sobre suicídio ver notícia abaixo (em inglês). São as festividades racistas, escravagistas, imperialistas e consumistas em relação ao São Nicolau, já contei aqui, que me deixam passada à ferro. De qualquer forma, faltam poucos dias para o solstício, vou fazer uma celebração pagã para pedir ao sol que não se vá embora para sempre.




Junto com isso, em pouco espaço de tempo, vi uma sequência intensíssima de filmes pauleira: O Anticristo, A Fita Branca e Nostalgia. Talvez fale deles mais adiante. O post de hoje foi motivado pelo prêmio da paz que o Obi-Ama foi receber hoje, que me fez lembrar a brincadeira abaixo que vi uns meses atrás no programa do John Jon Stewart:





terça-feira, 24 de novembro de 2009

Colocar as barbas de molho?



Verdade que a dona da Bloga anda com preguiça, mas não poderia deixar de compartilhar essa enorme preocupação com vocês: as barbas dos papais noéis nem sempre é à prova de fogo!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

WWW, outras teias




Walter "Wolfman" Washington - It´s raining

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Mergulhando para buscar pérolas


Between 1950 and 1980 the Netherlands had a flourishing shipbuilding industry. Launch after launch was celebrated at shipyards in the north and west of the country. But the industry collapsed amid mismanagement and the rise of Asian shipyards.
Now shipbuilding is booming again, almost at the old level. Rotterdam has been hosting a big maritime fair where shipyards and suppliers can show off their know-how.(aqui)


Inevitável que a notícia acima me fizesse pensar na música abaixo:




terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ame-o e deixe-o...



Tinha prometido falar um pouquinho da II Conferência de Brasileiros no Exterior que aconteceu em outubro no Rio. E acho que o papo vai ser longo. Puxa uma cadeira aí. Já tinha comentado rapidamente antes (aqui) que trabalhos foram muito bem abertos pelo ministro Celso Amorim, que fez um resumo do movimento, uma prestação de contas em relação às demandas feitas na conferência anterior, um mea culpa em relação aos problemas ainda pendentes e promessa de manter-se atento às reivindicações dos 3 milhões de brasileiros vivendo, hoje em dia, fora do Brasil. Mesmo assim, a imprensa do Brasa não falou nenhuma linha sobre, se alguém tiver visto alguma coisa que me atire o primeiro link!
O Brasil se tornou a partir do anos 80 um país de emigração. Dos atuais 3 milhões e tais de compatriotas no exterior, os três maiores grupos se encontram, respectivamente nos EUA, Paraguai e Japão. Essas comunidades estavam todas bem representadas na conferência, pelo menos numericamente. Aliás, tirando cobertura de carnaval na tevê, poucas vezes se ouve tanto a palavra “comunidade”.


No ano passado houve intervenções de natureza acadêmica, mas não neste ano, tempo curto e o menu de reivindicações complexo, pouco espaço para elaborações teóricas. Existem tentativas de modelos de discussão teórica transdiciplinares que tentam mapear a questão da movimentação em massa de pessoas e uma pergunta básica é sobre quais seriam os parâmetros para se caraterizar uma diáspora. Para começo de conversa, tem a heterogeneidade dos grupos fora, tanto em relação às motivações da migração e escolha do destino, ao perfil dos emigrados, da expectativa deles, entre por exemplo, uma saída provisória ou permanente do país, a época em que sairam e como se aglutinaram, ou não, fora do país.
Sobre a estrutura da conferência e as atas publicadas, é só dar uma olhada neste link do MRE.


Na abertura o Celso Amorim sublinhou a necessidade de treinamento e aperfeiçoamento funcional no seio do seu ministério, a necessidade de expandir os serviços e dos consulados itinerantes que amenizam alguns problemas. Carlos Gabas do Ministério da Previdência Social relatou os esforços da sua pasta em relação aos acordos bilaterais de previdência e comunicou que provavelmente ainda este ano Brasil e Japão assinarão o acordo previdenciário. Isso evitaria, por exemplo, que pessoas que trabalharam 20 anos no Brasil e mais 20 no exterior acabem sem aposentadoria alguma em nenhum dos dois países. A Teresa Cruvinel da tevê pública ressaltou a importância de se oferecer programação boa e não-comercial à população em geral, incluindo aí os brasileiros que vivem fora. Mencionou tratativas entre esse órgão e diversos governos/empresas estrangeiros para fazer chegar, via cabo, a programação deste canal de televisão.


As reivindicações campeãs de público na mesa que participei foram:

1. questão dos registros civis e projeto de cartório brasileiro no exterior para evitar a necessidade de transcrição/legalização de documentos.
2. a necessidade de estimular os brasileiros, independente de sua situação legal, de fazer matrícula consular, inclusive orientando associações que lidam com brasileiros para que recomendem essa prática.
3. Como aceitar ajuda da comunidade e organizações para que possam preparar e verificar documentos de brasileiros antes de procurarem os consulados.
4. Como criar e uniformizar uma espécie de selo de qualidade para identificação e reconhecimento de entidades que ajudam ou venham ajudar os imigrantes brasileiros.
5. regularização de documentos.
6. maior envolvimento tanto da comunidade como do serviço consular sobretudo na questão dos compatriotas detidos,
7. promover a criação de conselhos de cidadãos nos consulados mas eliminar o procedimento que dá o cargo da presidência ao cônsul. E que esse conselhos sejam só para cidadãos brasileiros.
8. ainda sobre documentos, a questão da fé pública dos advogados que não está sendo reconhecida, por razões burocráticas, pelos consulados na Europa.
9. a aceitação da carteira de habilitação automaticamente quando existir acordo bilateral e pedidos para que mais acordos sejam feitos. (E os problemas acontecendo na Espanha, país com o qual o Brasil já tem acordo, foram mencionados, viu Anlene ?)

E várias outras coisas. Na mesa de Saúde, entre tantas questões importantes, um companheiro do Japão levantou um problema técnico importantésimo: como alertar aos serviços de saúde no exterior e a comunidade brasileira, sobre, por exemplo, doença de Chagas, para que alguém que nunca ouviu falar dessa doença, possa fazer um diagnóstico correto mas, sem, ao mesmo tempo, gerar (mais) um fator de discriminação contra o imigrante. Segundo ele, 1 em cada 100 brasucas são portadores e se a pessoa vier de uma região endêmica então já viu. Um desdobramento bacanudo dessa conferência foi que os problemas de gênero passarão a ter uma mesa própria no futuro, pelo carater multifacetado que têm. Também pedido, em prosa e verso, eventos, cursos, bibliotecas e tal, onde sobretudo os filhos dos imigrantes mantenham o contato ou aprendam a língua e aspectos da cultura brasileira. Desejáveis também mais acordos para reconhecimento de diplomas. A questão previdenciária milhões de vezes citada.

A informação mais importante, ao meu ver, foi saber que o Núcleo de Assistência a Brasileiros no Exterior - NAB, que foi criado em 1995, por causa da problemática de tráfico de pessoas, tem telefones para dar assistência consular em casos de emergência, 24 horas por dia, todos os dias do ano e endereço eletrônico para brasileiros no estrangeiro e é presidido atualmente pela Conselheira Luiza Lopes da Silva, chefe da Divisão de Assistência Consular. Gostei dela, super gentil e atenta, me pareceu empenhadíssima em operar mudanças dentro do seu ministério.
BlogaFora também é serviço público !

São consideradas situações de emergência:
Detenção, passaportes extraviados, graves problemas de saúde, falecimento, ocorrências policiais e catástrofes naturais ou conflitos.
Telefones: +55 (61) 3411-8803/ 8804/ 8805/ 8809 / 8817 / 8818 / 6270 / 9718
e-mail: dac@mre.gov.br
fax: +55 (61) 3411- 8800
Fora do horário de expediente (em casos de emergência)
+55 (61) 3411- 64 56
Ministério das Relações Exteriores
Divisão de Assistência Consular
Esplanada dos Ministérios, Bloco H Anexo I – Térreo
CEP 70.170-900 Brasília – D.F.

Os trabalhos este ano, comparados às brigas, bate-bocas e confusões do ano anterior, correram na maior tranquilidade, mesmo nas mesas onde as discussões foram mais acirradas, sobretudo onde se discutia as formas como se fará a representação política das comunidades. Na hora da Plenária, praticamente todas as decisões foram tomadas por consenso ou unanimidade. Claro que sempre tem umas pessoas sem loção (nem talco ou água de colônia, como acrescentou um brasuca de Boston) que pediam a vez de falar, mas não questões de ordem ou conteúdo, mas para agradecer a Deus, lavar roupa suja, para reivindicar coisas pessoais, para babarem-ovo, para darem uma de papagaio de pirata, “visitem meu site”, “me contratem” ou fazer uma performance teatral básica. A vencedora, para mim, foi a criatura que na hora da plenária, 44 minutos do segundo tempo, cansaço geral, etc e etc, se inscreveu para agradecer ao presidente Lula por ter levado as olimpíadas para o Rio.


Resumindo tudo, acho que finalmente as coisas estão mudando no Itamaraty em relação ao atendimento ao público. Eu disse no meu grupo que ficaria muito feliz se o pessoal que atende os brasileiros fora aprendessem a deixar seus preconceitos em casa, todos aqueles, de classe, cor, religião, nível educacional, escolha sexual, pelo menos durante o expediente. Que as embaixadas e representações consulares devem, para começo de conversar, enviar sinais amistosos à brasileirada, para que em caso de necessidade, elas sejam a primeira instância que venha à cabeça, independente da situação legal da pessoa. No mais, satisfeita em ver que prestar atenção nos imigrantes brasileiros estava no programa do Lula e ele não pediu para a gente esquecer o que ele escreveu. Como disse antes, os grupos são variadíssimos, as questões locais a serem enfrentadas poucas vezes são generalizáveis, mas estou gostando de ver essa movimentação.